29 de Maio de 2008

O que considerar ao participar de uma Oferta Pública de Ações - Parte II

Os ânimos com relação aos IPOs, após a nota em grau de investimento concedida ao Brasil no último mês, modificaram-se sensivelmente. Diversas empresas que haviam suspendido ou mesmo cancelado o processo de oferta voltam a cogitar as ofertas.

A OGX, empresa do setor de petróleo e gás, promete ser a primeira grande oferta após o grau de investimento e servirá como um termômetro, que poderá desencadear uma sucessão de novas ofertas.

Com este cenário a análise de ofertas públicas de ações volta a cena principal da Bovespa, e continuaremos a abordar os principais pontos a serem observados.

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Pregão de negociação da NYSE

 

A parte I abordou principalmente o tipo de oferta, se primária ou secundária e os aspectos do histórico que devem ser analisados. Nesta parte trataremos da governança e dos múltiplos de lançamento.

A governança corporativa é um fator que deve influenciar qualquer escolha para a compra de ações, pois são um elemento fundamental para quantificar a qualidade da empresa.

O grau de governança da empresa pode ser medido pela transparência com que se comunica e informa seus acionistas, a qualidade dessas informações, a presteza com que são transmitidas a todos os acionistas, e a facilidade no seu acesso, são os principais pontos que aumentam o grau de governança corporativa de uma empresa.

Outros direitos garantidos aos sócios minoritários são também indicativos do grau de governança, tais como o tag along e garantia de oferta pública no caso de fechamento de capital, entre outros direitos.

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Gráfico histórico do Ibovespa (Enfoque)

 

Muitas empresas no momento de seu IPO não possuem nenhuma experiência no contato com acionistas minoritários, esse fator depõe de modo geral contra ofertas de IPO, não poder fazer uma análise retrospectiva dessa transparência também dificulta a apreciação do grau de governança.

Com essas dificuldades uma ferramenta de muito valor é estudar os controladores ou mesmo outros sócios importantes da empresa para verificar se estes possuem histórico de relacionamento positivo com seus sócios.

A análise mais subjetiva e ampla de todas em uma oferta é a do preço oferecido, quando de uma oferta secundária temos sempre a referência do preço negociado no mercado, e numa oferta primária que não seja inicial, podemos calcular a diluição do capital da empresa, como referências objetivas. O que podemos observar no IPO?

A análise possível no caso dos IPOs é a análise de múltiplos, especialmente um múltiplo muito divulgado no mercado o P/L (preço sobre o lucro), a empresa que realizará o IPO informará os lucros dos últimos anos que poderão ser comparados com outras empresas similares, e mesmo com valores médios do índice Bovespa.

A subjetividade estará longe de ser afastada, existem muitas formas de gerar distorções nos valores de lucros, especialmente em períodos curtos de análise, porém é um indicador mínimo para se analisar o preço.

Várias empresas devem lançar ofertas públicas, especialmente IPOs ainda este ano, qualquer ponto que deseje discutir sobre estas ofertas envie nos comentários e poderemo trocar informações.





21 de Maio de 2008

Erros comuns ao iniciar nas operações em bolsa

Todos os dias muitas pessoas decidem começar a operar no mercado de renda variável, porém poucas são as que tomam essa decisão após percorrer o caminho do aprendizado, e por esse motivo todos os dias ouvimos histórias de pessoas que se arrependem e justificando que a renda variável é apenas loteria ou sorte.

O caminho para buscar conhecimento é pessoal e pode ser diferente para cada um, porém alguns erros comuns podemos observar todos os dias. Qualquer investidor com alguns anos no mercado conhece algumas histórias de pessoas que acham que dominaram um segredo ou arte secreta, ao conseguir uma rentabilidade razoável por alguns meses, e começam a assumir riscos crescentes, sem ao menos a consciência disso, o destino desses investidores geralmente não é muito diferente, varia da quebra a quebra espetacular.

Porém deixam um legado de erros e estudar esses erros comuns pode ajudar a qualquer iniciante e mesmo servir de alerta a qualquer investidor.

O Bancotário do blog Elucubrações Grafistas, escreveu excelente artigo que destaca alguns pontos que todos devem ter conhecimento antes de operar na bolsa, o texto chama-se "Os erros mais comuns de quem acha que operar intradiario leva vantagem sobre os Holders" e é uma leitura obrigatória.

 

Busca por informações (Cortesia Rafael Lopes)

Busca por informações (Cortesia Rafael Lopes)

Destaco alguns pontos.

Sobre as histórias dos que escolhem o caminho da sorte...

"Numa única semana as vésperas do vencimento de opções perdeu simplesmente quase todo seu capital. Isto é conhecido como a "Síndrome do Clark Kent” e é sem duvida, um dos erros mais comuns dos "daytraders" e será abordado nas próximas linhas. Procurem ter sempre em mente esta história. As coisas não são tão simples como parecem ser..."

Acerca da impotência diante da força do mercado...

"Apesar de estar passando por um eventual desempenho superior a de seus colegas, não ignore o que eles têm para lhe dizer. Grande parte dos operadores do "Day trading" perdeu tudo o que tinha no primeiro ano porque não ouviam os conselhos dos mais velhos. Depois de levar muita paulada do Senhor Mercado, pararam para pensar e começaram a levar em consideração os conselhos dos mais experientes..."

Ainda sobre a psicologia para operar com renda variável...

"Definitivamente o método não é a única resposta. O que mais conta é apenas ter cabeça-fria, disciplina e ter sempre em mente que você apenas estará administrando seu capital de uma nova forma. Siga o plano que você traçou antes de entrar na operação e o sucesso acabará por bater à sua porta, independentemente do método utilizado..."





12 de Maio de 2008

Vale planeja saída do controle da Usiminas

A Vale participa do bloco de controle da Usiminas com uma participação de 5,89% das ações ordinárias (USIM3), porém têm manifestado intenção de retirar-se do controle ou até mesmo se desfazer-se da participação na empresa.

A atual administração da Vale não vê vantagens ou fortes sinergias que justifiquem essa participação; prevê sim falta de foco e conflitos de interesse advindos da participação.

Episódio recente que precipitou essa revisão na posição da Vale foi a compra da mineradora J. Mendes. A Vale foi contra a aquisição alegando o alto preço dos ativos que se aproximaram de US$ 1,20 por tonelada de minério de ferro, como exemplo em aquisição recente da mineradora Apolo pela Vale o preço por tonelada de minério de ferro foi de US$ 0,10. MMX e CSN também fizeram compras a valores de US$ 0,8 e US$ 1 por tonelada.

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Vista panorâmica da mina de Casa de Pedra (cortesia Ricardo-NL)

 

Antes divergências sobre a aquisição da Sparrows Point, pertecente a Arcelor Mittal, impediram a compra da siderúrgica americana, contrapondo a Vale aos outros controladores que apontavam a necessidade de compras no setor de mineração e não de siderurgia.

O modelo adotado pela Vale em parcerias com a Baosteel e Thyssen, sem participação no controle, apenas com participações minoritárias parece ter sido mais vantajoso para a Vale nos últimos anos.

A entrada no bloco de controle da Usiminas ocorreu em 2006, portanto uma decisão recente, que antes havia sido rejeitada diversas vezes com o mesmo argumento que volta a tona neste momento, falta de foco no negócio de mineração e conflitos de interesses.

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Vale planeja sair do bloco de controle da Usiminas

 

A saída completa da empresa com a venda das ações a valores de mercado renderia a vale R$ 1,3 bilhões, recursos que poderiam ser reutilizados em projetos de mineração próprios.

A alternativa mais citada até o momento não foi a venda das ações, mais algum acordo para a conversão das ações ordinárias em preferenciais, esse tipo de acordo foi realizado recentemente pelo Bradespar (controladora da Vale), a companhia saiu do bloco de controle da CPFL, porém manteve as ações preferências da empresa. A diferença é o fato de a Vale não ser uma empresa de portfolio como o Bradespar.

Para acompanhar novidades no tema fique atento ao Investidor Informado.





6 de Maio de 2008

Poupança em Ações: Compra Maio de 2008

O mês de abril surpreendeu a todos com a atribuição do grau de investimento pela S&P, provocando compra em todas as ações, especialmente de construtoras e varejistas. Essa primeira reação ainda não nos permite determinar a exata dimensão que essa nova classificação possa trazer para o nosso mercado acionário, mas promete um novo horizonte para o mercado brasileiro.

Todas essas variações de curto prazo perdem relevância na estratégia acumulativa do Poupança em Ações, com estas considerações vamos aos valores de fechamento, e cálculos para a escolha da compra deste mês.

No quadro abaixo estão as ações que compõem a carteira do Poupança em Ações, os valores de fechamento e variações no período de 01 de abril de 2008 e 02 de maio de 2008. Todos os valores estão corrigidos para espelhar eventuais desdobramentos, grupamentos, dividendos...

Quadro de Variações de Preços da carteira do Poupança em Ações (Maio de 2008)

Quadro de Variações de Preços da carteira do Poupança em Ações (Maio de 2008)

 

A seguir a tabela com as ações alternativas na seleção da carteira do Poupança em Ações como explicado na postagem sobre seleção de ativos e na compra de janeiro de 2008.

Quadro complementar de ações opcionais para a carteira do Poupança em Ações (Maio de 2008)

Quadro complementar de ações opcionais para a carteira do Poupança em Ações (Maio de 2008)

 

As ações da Weg serão a compra de maio, segundo o critérios de escolha definidos no Poupança em Ações. A WEG não reagiu tão espetacularmente quanto outras nessa semana, talvez ainda refletindo os resultados do primeiro trimestre, que apontaram uma redução nos lucros, afetados principalmente pela valorização do Real; o que com o no novo rating pode até se agravar, mas é este mesmo "problema" que garante a empresa operações extremamente internacionalizadas e resistentes a crises específicas de um país. Sendo a única das ações que caiu no fechamento mensal, será a escolha para o mês.

Alguns leitores têm perguntado sobre o significado de alguns termos usados no Blog, publiquei uma postagem sobre o tema e um mini glossário com estes termos para consulta. Em dúvida sobre qualquer termo que não esteja no glossário deixe um comentário que tentarei esclarecer com prazer.

O valor mensal de aplicação é de R$ 1.000,00, somado ao saldo do mês anterior, que era de R$ 1,45, totalizando R$ 1.001,45.

A compra foi feita no dia, 05 de maio de 2008, foi possível comprar o ativo WEGE3F por R$ 19,90, o que permitiu a aquisição de 50 ações no mercado fracionário, com preço total de R$ 995,00, a taxa de corretagem continua estável e foi de R$ 5,10 incluído o valor do ISS. Outros custos foram: a taxa de liquidação paga a CBLC no valor de R$ 0,08 e os emolumentos pagos a Bovespa com valor de R$ 0,27. Portanto nenhuma modificação nos valores de operação, resultando em um custo total para a aquisição de 50 ações da WEGE3F foi de R$ 1.000,45.

Restou na conta saldo a ser usado no mês de junho de 2008, de R$ 0,45.

As compras efetuadas até agora no poupança em ações totalizadas no quadro abaixo, estão anotadas as 12 ações da PETR4 (Petrobrás), depositadas em 28 de abril de 2008, em razão do desdobramento das ações.

 Saldo de ações do Poupança em Ações (Maio de 2008)

Saldo de ações do Poupança em Ações (Maio de 2008)

 

Dentro do planejamento de longo prazo, esta é a compra número 5 de 120 (10 anos). Nenhuma remuneração em dinheiro ou por subscrição foram pagas para as ações em carteira no mês de abril de 2008 (Dividendos foram previstos e deverão ser pagos por CYRE3 "Cyrela" e ALLL11 "ALL América Latina Logística" no próximo mês). O desdobramento na proporção de 2 para 1, efetuado nas ações da Petrobras (PETR4) foi anotado no quadro anterior.

No próximo mês trarei o detalhamento do valor das ações da carteira do Poupança em Ações, e a variação dos preços das ações nos 6 primeiros meses de investimento.

Clique para consultar compra do mês anterior

 

Informações Poupança em Ações
1. Poupança em Ações
2. Poupança em Ações: Quanto investir? Como comprar?
3. Poupança em Ações: O que comprar?
4. Poupança em Ações: Investimento gradual?
5. Poupança em Ações: Qual a ação do mês?
6. Poupança em Ações: Simulação de um caso de sucesso