O que considerar ao participar de uma Oferta Pública de Ações - Parte II
Os ânimos com relação aos IPOs, após a nota em grau de investimento concedida ao Brasil no último mês, modificaram-se sensivelmente. Diversas empresas que haviam suspendido ou mesmo cancelado o processo de oferta voltam a cogitar as ofertas.
A OGX, empresa do setor de petróleo e gás, promete ser a primeira grande oferta após o grau de investimento e servirá como um termômetro, que poderá desencadear uma sucessão de novas ofertas.
Com este cenário a análise de ofertas públicas de ações volta a cena principal da Bovespa, e continuaremos a abordar os principais pontos a serem observados.
Pregão de negociação da NYSE
A parte I abordou principalmente o tipo de oferta, se primária ou secundária e os aspectos do histórico que devem ser analisados. Nesta parte trataremos da governança e dos múltiplos de lançamento.
A governança corporativa é um fator que deve influenciar qualquer escolha para a compra de ações, pois são um elemento fundamental para quantificar a qualidade da empresa.
O grau de governança da empresa pode ser medido pela transparência com que se comunica e informa seus acionistas, a qualidade dessas informações, a presteza com que são transmitidas a todos os acionistas, e a facilidade no seu acesso, são os principais pontos que aumentam o grau de governança corporativa de uma empresa.
Outros direitos garantidos aos sócios minoritários são também indicativos do grau de governança, tais como o tag along e garantia de oferta pública no caso de fechamento de capital, entre outros direitos.
Gráfico histórico do Ibovespa (Enfoque)
Muitas empresas no momento de seu IPO não possuem nenhuma experiência no contato com acionistas minoritários, esse fator depõe de modo geral contra ofertas de IPO, não poder fazer uma análise retrospectiva dessa transparência também dificulta a apreciação do grau de governança.
Com essas dificuldades uma ferramenta de muito valor é estudar os controladores ou mesmo outros sócios importantes da empresa para verificar se estes possuem histórico de relacionamento positivo com seus sócios.
A análise mais subjetiva e ampla de todas em uma oferta é a do preço oferecido, quando de uma oferta secundária temos sempre a referência do preço negociado no mercado, e numa oferta primária que não seja inicial, podemos calcular a diluição do capital da empresa, como referências objetivas. O que podemos observar no IPO?
A análise possível no caso dos IPOs é a análise de múltiplos, especialmente um múltiplo muito divulgado no mercado o P/L (preço sobre o lucro), a empresa que realizará o IPO informará os lucros dos últimos anos que poderão ser comparados com outras empresas similares, e mesmo com valores médios do índice Bovespa.
A subjetividade estará longe de ser afastada, existem muitas formas de gerar distorções nos valores de lucros, especialmente em períodos curtos de análise, porém é um indicador mínimo para se analisar o preço.
Várias empresas devem lançar ofertas públicas, especialmente IPOs ainda este ano, qualquer ponto que deseje discutir sobre estas ofertas envie nos comentários e poderemo trocar informações.

