30 de Abril de 2008

O que considerar ao participar de uma Oferta Pública de Ações - Parte I

O ano de 2007 ficou marcado na bolsa brasileira como o ano das IPOs (Ofertas públicas iniciais de ações), com 64 empresas fazendo IPOs e 75 ofertas públicas no total, em comparação a 26 IPOs (35 ofertas públicas) em 2006, até o final de abril de 2008 apenas 3 IPOs (8 ofertas públicas) foram realizados.

O ano de 2008 não parece se encaminhar para repetir a desempenho de 2007, portanto os cuidados na escolha para participar de uma oferta pública, especialmente um IPO, devem ser aumentados.

Os fatores enumerados aqui são apenas pontuais, cada oferta pode ter particularidades únicas, e apenas aquelas de cunho mais genérico serão comentadas nessa postagem.

Pregão de negociação da NYSE

Pregão de negociação da NYSE

Oferta primária ou secundária?

A oferta pública primária é aquela onde os acionistas atuais da empresa aumentam o capital presente da empresa e oferecem estas novas ações ao público, aumentando assim o patrimônio total da empresa, pois o valor arrecadado será direcionado apenas a empresa, seja para o crescimento, novos investimentos, ou pagamento de dívidas. É a forma mais comum nos IPOs.

A oferta pública secundária ocorre quando os acionistas atuais da empresa desejam desfazer-se de suas ações. O valor arrecadado é direcionado aos vendedores, portanto nessa forma não há aumento patrimonial para a empresa. Ocorre apenas a transferência entre os acionistas existentes para novos acionistas.

Várias ofertas são mistas e ofertam ações novas (oferta primária) e ações de acionistas atuais (oferta secundária).

Não existe uma forma necessariamente melhor que a outra, porém é importante considerar que novos recursos na empresa permitem maior crescimento no futuro, se bem investidos.

Uma oferta primária de um número grande de ações pode trazer uma diluição considerável, em relação às ações dos acionistas anteriormente proprietários. Imagine a situação de uma empresa com 10.000 ações e patrimônio de R$ 100,00, que faz IPO e oferta 20.000 ações ao valor unitário de R$ 2,00, a empresa passará a ter 30.000 ações com patrimônio de R$ 40.100,00, portanto cada ação anterior salta de R$ 0,01 para R$ 1,34, assim terá ágio de 13300% para os acionistas anteriores ao IPO,  enquanto os novos acionistas sofrem o deságio imediato de R$ 2,00 para R$ 1,34, aproximadamente 35%.

Outro fator a ser considerado em uma oferta secundária é quanto da empresa está sendo vendida, ou qual sócio está deixando a empresa. Nenhum negócio será visto com bons olhos quando o seu principal gerenciador resolve abandoná-lo, ou quando um sócio que mantém uma parceria importante com a empresa deixa o negócio, pode se cogitar até a possibilidade de um sócio vendedor passar a ser um futuro concorrente. Um controle difuso, isto é, com nenhum sócio controlador definido geralmente é considerado prejudicial, porém se tiver regras eficientes de gestão pode valorizar a empresa.

Gráfico histórico do Ibovespa (Enfoque)

Gráfico histórico do Ibovespa (Enfoque)

Histórico

Outro ponto a ser considerado é uma análise da empresa, assim como do seu setor no período de alguns anos para tentar determinar qual o potencial de crescimento da atividade. Essa análise é especialmente difícil quando se trata de uma empresa nova que esteja fazendo um IPO, mas pode-se recorrer a empresas similares.

A presença de grande concorrência no setor, e sua participação em bolsa também é fundamental, tanto para determinar, os valores comparativos, como para observar se a procura pela empresa pode ser atrapalhada pela presença das outras anteriormente existentes.

O histórico recente de fusões e aquisições é uma peça que pode mudar completamente o valor de uma empresa, portanto deve ser observado com cuidado. As perspectivas de curto prazo dessas fusões também poderão determinar a procura pela empresa.

Continua na próxima postagem.





24 de Abril de 2008

Pergunta do Leitor - Termos utilizados no Mercado de Capitais

Muitos leitores fazem perguntas sobre termos utilizados no mercado financeiro, desde aqueles típicos das operações bancárias até os utilizados na análise técnica ou de fundamentos, alguns dos termos questionados envolvem conceitos mais complexos, porém muitos são apenas expressões comuns adaptadas ao jargão do mercado.

PERGUNTA DO LEITOR

Colocarei nesta postagem alguns dos termos sobre os quais recebi questões, são eles: "Mercado à vista", "ANA", "Circuit Breaker", "FED", "Insider", "Mercado de balcão", "Split", "D+", "Virar pó", "Suporte" e "Nota de corretagem".

Cada um dos termos mereceriam postagens completas, porém a idéia desta é apenas a conceituação básica do termo. Uma espécie de mini glossário com termos do mercado financeiro.

Mercado à vista: Mercado no qual a liquidação física (entrega dos títulos pelo vendedor) se processa no 2º dia útil após a realização do negócio em pregão e a liquidação financeira (pagamento dos títulos pelo comprador) se dá no 3º dia útil posterior à negociação, somente mediante a efetiva liquidação física;

ANA: Aviso de Negociação de Ações, comprovante de operação enviado pela Bolsa de Valores ao investidor;

Circuit Breaker: Mecanismo adotada por muitas Bolsas de Valores, determina que o pregão é imediatamente interrompido toda vez que o índice tenha queda maior que um determinado nível percentual. No caso da Bovespa o limite é de dez pontos percentuais (10%);

Prédio do Federal Reserve

Prédio do Federal Reserve

FED: Abreviatura de Federal Reserve Bank, o Banco Central americano;

Insider: Investidor que tem acesso privilegiado a determinadas informações, antes que estas se tornem conhecidas no mercado;

Mercado de balcão: Mercado em que as operações não são registradas em Bolsas.Também chamado de "tailor made" ou "customizadas" por atenderem especificações dos clientes, esse mercado abrange não só negociações com ações, mas também com outros ativos.Há duas modalidades distintas desse mercado, o mercado de balcão não organizado, mercado de compra e venda de ativos sem a coordenação de uma Bolsa de Valores, no qual as transações são normalmente conduzidas pelo telefone. São negociadas ações de empresas não registradas em Bolsas de Valores e outras espécies de títulos. Participam deste mercado corretoras, distribuidoras, alguns bancos e pessoas físicas; e o mercado de balcão organizado, também chamado de SOMA (Sociedade Operadora de Mercado Aberto), funciona como um mercado teste para empresas que pretendem mais tarde ter suas ações negociadas nas bolsas de valores. Apresenta como vantagens principais menor custo e menores exigências;

Split: Elevação do número de ações representantes do capital de uma empresa pelo desdobramento, com a correspondente redução de seu valor nominal;

D+: Jargão utilizado no mercado financeiro que expressa o dia da operação e o dia da sua liquidação. D+0= hoje; D+1= amanhã; D+2= depois de amanhã; e assim por diante. Ex.: o cliente enviou um DOC hoje, mas ele será creditado apenas amanhã. O crédito do DOC ocorre em D+1. O "D" significa o dia em que a operação foi comandada ou combinada verbalmente (tal como uma ordem de resgate de um fundo, pelo telefone). O "+ seguido de um número" significa o número de dias necessário para que a instituição financeira efetive realmente a operação. Ex.: as ordens de resgate em fundos de ações ocorrem geralmente em D+3. O investidor ordena o resgate hoje (em "D") e o crédito em sua conta corrente ocorrerá três dias depois, com o valor da cota de "D";

Virar pó: Gíria utilizada pelos profissionais do mercado financeiro, significando título e/ou investimento que perdeu totalmente o seu valor no mercado. Ex.: "meu investimento naquela ação virou pó";

Suporte: Jargão utilizado freqüentemente no mercado financeiro que sugere um limite de baixa de alguma ação, título ou índice em um momento no tempo. Ex: O Ibovespa tem um suporte em 7000 pontos, o que significa dizer que o mercado acredita que dificilmente o Ibovespa cairá abaixo desta marca;

Nota de corretagem: Documento que a sociedade corretora apresenta ao seu cliente, registrando a operação realizada, com indicação da espécie, quantidade de títulos, preço, data do pregão, valor da negociação, valor da corretagem cobrada e dos emolumentos devidos. Muito útil na declaração de imposto de renda.

No link seguinte poderão ser encontrados outros termos comuns em um Glossário do Mercado de Capitais, feito pela InvestShop.

Se tiver dúvida sobre algum termo ou expressão referente ao Mercado Financeiro, escreva para o Lendo Meus Pensamentos.

email de contato com Lendo Meus Pensamentos

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16 de Abril de 2008

Hypermarcas: Definição do preço do IPO

O resultado de definição do preço para o IPO da Hypermarcas foi divulgado na noite de hoje, 16 de abril de 2008, e apontou o valor de R$ 17,00 como valor de oferta, um deságio de aproximadamente 24%,  em relação ao centro do intervalo proposto no prospecto de R$ 22,50.

O  valor permitirá a empresa captar R$ 699,9 milhões, incluindo o exercício do lote suplementar. O início das negociações será na próxima sexta feira com o código HYPE3.

O valor fixado para oferta ainda ficou significativamente acima do valor do patrimônio líquido da empresa, que com este valor de subscrição deverá ficar abaixo de R$ 9 por ação.

Hipermarcas Logotipo

 

O lucro líquido da empresa em 2007 foi de R$ 58,8 milhões, com o valor definido no IPO, o múltiplo de lucro por valor da ação deve ficar acima de 20, alto, porém bem inferior ao esperado e até dentro da média do Índice Bovespa.

O resultado da definição abaixo do preço definido nas faixas do prospecto podem ser muito bem vindos aos compradores, sem deixar de ser um negócio lucrativo aos atuais acionistas, que tinham valor por ação de R$ 5,63 no final de 2007, recebendo um ágio considerável.

A oferta foi primária portanto todo o valor será revertido para a companhia, para novas aquisições e investimentos nas marcas presentes no atual portifólio.

Atualização 17 de abril de 2008

As solicitações foram atendidas integralmente até o valor de R$ 2.992,00 (176 ações). Foi aplicado rateio de 41,86% sobre o valor excedente.





2 de Abril de 2008

Poupança em Ações: Compra Abril de 2008

Encerrado o mês de março, podemos fazer a análise das variações para a escolha da ação do Poupança em Ações no mês de abril de 2008. O mês de março continuou sendo um mês de intensa volatilidade como têm sido desde o fim de 2007, e com significativas quedas em alguns ativos, o que proporciona ótimas oportunidades de compra para o investidor de longo prazo do Poupança em Ações.

Abaixo o quadro com as variações de preço dos ativos da carteira do Poupança em Ações durante o período de 03 de março de 2008  e 01 de abril de 2008.

Quadro de Variações de Preços da carteira do Poupança em Ações (Abril de 2008)

 

A seguir a tabela com as ações alternativas na seleção da carteira do Poupança em Ações como explicado na postagem sobre seleção de ativos e na compra de janeiro de 2008.

Quadro complementar de ações opcionais para a carteira do Poupança em Ações (Abril de 2008)

 

A ação apontada segundo o critérios de escolha é a Cyrela, é a segunda compra da ação portanto dentro dos critérios de acumulação definidos no Poupança em ações, a queda da Cyrela em março ocorreu junto a todas as outras construtoras e incorporadoras, por medo do aumento na taxa de juros, novamente neste ponto o investidor de longo prazo se beneficia, pois os fundamentos para este prazo, não sofrem modificação, assim esta será a escolha do mês de abril.

O valor mensal de aplicação é de R$ 1.000,00, somado ao saldo do mês anterior totaliza R$ 1.066,87.

A compra foi feita no dia, 02 de abril de 2008, foi possível comprar o ativo CYRE3F por R$ 24,65, o que permitiu a aquisição de 43 ações no mercado fracionário, com preço total de R$ 1.059,95, a taxa de corretagem foi de 5,10 incluído o valor do ISS. Outros custos foram: a taxa de liquidação paga a CBLC no valor de R$ 0,08 e os emolumentos pagos a Bovespa com valor de R$ 0,29. Portanto nenhuma modificação nos valores de operação, resultando em um custo total para a aquisição de 43 ações da CYRE3F foi de R$ 1.065,42.

Restou na conta um saldo a ser usado no mês de maio de 2008, de R$ 1,45.

As compras efetuadas até agora no poupança em ações totalizadas no quadro abaixo.

Saldo de ações do Poupança em Ações (Abril de 2008)

 

Dentro do planejamento de longo prazo, esta é a compra número 4 de 120 (10 anos). Nenhuma remuneração em dinheiro ou por subscrição foram pagas para as ações em carteira no mês de março de 2008. Nenhum desdobramento ou agrupamento ocorreu em nenhuma das ações em carteira no mês de março de 2008 (O desdobramento da Petrobras está agendado para o dia 28 de abril de 2008).

Clique para consultar compra do mês anterior

Informações Poupança em Ações
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