O que considerar ao participar de uma Oferta Pública de Ações - Parte I
O ano de 2007 ficou marcado na bolsa brasileira como o ano das IPOs (Ofertas públicas iniciais de ações), com 64 empresas fazendo IPOs e 75 ofertas públicas no total, em comparação a 26 IPOs (35 ofertas públicas) em 2006, até o final de abril de 2008 apenas 3 IPOs (8 ofertas públicas) foram realizados.
O ano de 2008 não parece se encaminhar para repetir a desempenho de 2007, portanto os cuidados na escolha para participar de uma oferta pública, especialmente um IPO, devem ser aumentados.
Os fatores enumerados aqui são apenas pontuais, cada oferta pode ter particularidades únicas, e apenas aquelas de cunho mais genérico serão comentadas nessa postagem.
Pregão de negociação da NYSE
Oferta primária ou secundária?
A oferta pública primária é aquela onde os acionistas atuais da empresa aumentam o capital presente da empresa e oferecem estas novas ações ao público, aumentando assim o patrimônio total da empresa, pois o valor arrecadado será direcionado apenas a empresa, seja para o crescimento, novos investimentos, ou pagamento de dívidas. É a forma mais comum nos IPOs.
A oferta pública secundária ocorre quando os acionistas atuais da empresa desejam desfazer-se de suas ações. O valor arrecadado é direcionado aos vendedores, portanto nessa forma não há aumento patrimonial para a empresa. Ocorre apenas a transferência entre os acionistas existentes para novos acionistas.
Várias ofertas são mistas e ofertam ações novas (oferta primária) e ações de acionistas atuais (oferta secundária).
Não existe uma forma necessariamente melhor que a outra, porém é importante considerar que novos recursos na empresa permitem maior crescimento no futuro, se bem investidos.
Uma oferta primária de um número grande de ações pode trazer uma diluição considerável, em relação às ações dos acionistas anteriormente proprietários. Imagine a situação de uma empresa com 10.000 ações e patrimônio de R$ 100,00, que faz IPO e oferta 20.000 ações ao valor unitário de R$ 2,00, a empresa passará a ter 30.000 ações com patrimônio de R$ 40.100,00, portanto cada ação anterior salta de R$ 0,01 para R$ 1,34, assim terá ágio de 13300% para os acionistas anteriores ao IPO, enquanto os novos acionistas sofrem o deságio imediato de R$ 2,00 para R$ 1,34, aproximadamente 35%.
Outro fator a ser considerado em uma oferta secundária é quanto da empresa está sendo vendida, ou qual sócio está deixando a empresa. Nenhum negócio será visto com bons olhos quando o seu principal gerenciador resolve abandoná-lo, ou quando um sócio que mantém uma parceria importante com a empresa deixa o negócio, pode se cogitar até a possibilidade de um sócio vendedor passar a ser um futuro concorrente. Um controle difuso, isto é, com nenhum sócio controlador definido geralmente é considerado prejudicial, porém se tiver regras eficientes de gestão pode valorizar a empresa.
Gráfico histórico do Ibovespa (Enfoque)
Histórico
Outro ponto a ser considerado é uma análise da empresa, assim como do seu setor no período de alguns anos para tentar determinar qual o potencial de crescimento da atividade. Essa análise é especialmente difícil quando se trata de uma empresa nova que esteja fazendo um IPO, mas pode-se recorrer a empresas similares.
A presença de grande concorrência no setor, e sua participação em bolsa também é fundamental, tanto para determinar, os valores comparativos, como para observar se a procura pela empresa pode ser atrapalhada pela presença das outras anteriormente existentes.
O histórico recente de fusões e aquisições é uma peça que pode mudar completamente o valor de uma empresa, portanto deve ser observado com cuidado. As perspectivas de curto prazo dessas fusões também poderão determinar a procura pela empresa.
Continua na próxima postagem.



