25 de Janeiro de 2008

Agravamento da crise? Kerviel Day? FED faz aposta de risco?

Surge agora a resposta para "aposta de risco" do FED em baixar a taxa de juros em 75 pontos, extraordinariamente. Muitos haviam especulado que haviam mudado as condições de crédito e que a crise havia se agravado, porém sem que nenhum fato novo fosse mostrado. A resposta estava do outro lado do Atlântico em uma mesa de operações do banco francês SocGen (Société Générale), que afirmaram, "somente" no dia 19 de janeiro, tomar conhecimento de uma fraude interna em suas operações de contratos futuros.

Jerome Kerviel, um operador de futuros do SocGen (Société Générale), empregado no banco desde 2000, foi capaz de sozinho provocar prejuízos que chegam a US$ 7,2 bilhões de dólares. Segundo as informações a fraude foi possível, pois o operador Jerome Kerviel, trabalhou inicialmente no setor de tecnologia do banco, o que lhe permitiu conhecimento para burlar os sistemas de segurança que protegiam o banco contra operações além do limite.

Mas como foi possível Jerome Kerviel, sozinho, abalar as taxas de juros americana[bb], a resposta é simples o efeito cascata, junto à enorme volatilidade dos últimos meses que abalam o mercado; Unindo isso tivemos a segunda feira, 21 de janeiro, batizada de “Kerviel Day”.

Federal Reserve Building, Washington, DC (1937), Paul P. Cret
Federal Reserve Building, Washington, DC (1937), Paul P. Cret

Muito ainda falta para se poder dizer tudo o que aconteceu nessa fraude, com resultado tão caro, alguns especulam que não haveria melhor forma de escapar, ainda que em parte, da responsabilização dos prejuízos de péssimos negócios. Não acho essa tese plausível, o banco terá de arcar com os prejuízos de qualquer modo. E para sua imagem não sei o que seria pior, a marca da incompetência de investimentos mal conduzidos e irresponsáveis, ou a fragilidade de um sistema onde um único funcionário pode causar um prejuízo equivalente ao lucro de um ano.

E a decisão de do FED, porque nesse momento? Primeiro temos de considerar que os investidores de grande porte souberam da fraude a partir do sábado, 19 de janeiro, quando o BCE (Banco Central Europeu) admite ter sido informado[bb], assim o FED teve a chance de ver o tamanho do estrago, sem seus mercados estarem funcionando, já que segunda feira, 21 de janeiro, era feriado local. Quando se analisou os desastrosos resultados do dia, especialmente na Europa com uma queda do índice de suas 300 maiores empresas (FTSEurofirst 300) apresentou queda maior que 5%.

Não havia outro caminho para evitar o pânico, deveria ser tomada uma medida imediata que foi divulgada antes da abertura dos mercados no dia 22 de janeiro, o corte de 75 pontos na taxa de juros, o resultado se mostrou extremamente eficiente, até o momento, a causa do pânico no resto do mundo passou quase despercebida nos Estados Unidos.

Painéis das bolsas em vermelho

Painéis das bolsas em vermelho

Porém a resposta não ficou somente na variação da taxa de juros, somou-se a ela o prévio anúncio do plano de recuperação com incentivos fiscais, anunciado pelo Presidente na semana anterior, e a notícia de um iminente plano para socorrer as seguradoras, que desde julho de 2007 são assombradas com o fantasma dos CDS (Credit Default Swap), o seguro para pagadores inadimplentes, fantasma com potência para transformar o medo do Subprime em um passeio no parque.

Essas foram as condições que permitiram que as bolsas no mundo inteiro e naturalmente na Bovespa, tivessem visitado o desespero e sonhassem com um dia ensolarado, em tão curtos dias.

A análise gráfica que mostra esses mesmos padrões, em números, seguirá esta postagem.





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